
O Clube Folha Agari, da escola estadual Shinquinchi Agari, lançou neste mês a sua segunda edição. A reportagem laboratório desse clube foi sobre o bairro da Curuçá, local no qual a escola se encontra e a maior parte dos seus alunos reside.
A idéia surgiu a partir de uma curiosidade dos jovens desse clube de saber como o bairro era antigamente. Mesmo com a falta de material sobre o assunto, os jovens jornalistas não se intimidaram e contaram a história do bairro a partir de seus moradores.
Relatos, fotos e algumas pesquisas e pronto! Eis a reportagem do Folha Agari:
CURUÇÁ da “cruz quebrada” à vila-cidade
Em que rua você mora? Onde está localizada a sua escola? Onde você costuma brincar ou se divertir? São muitas as perguntas, mas você já parou para pensar como nasceu, desenvolveu e se transformou a Vila Curuçá? O “Folha Agari” preparou uma reportagem especial contando um pouco da história da Vila Curuçá. Confira.
Se você for perguntar para seus pais, avós, com certeza, ouvirá muitas histórias sobre o lugar onde mora...
Curuçá para os índios, primeiros moradores dessas terras, significa “cruz quebrada”.
Nossa vila, situada na Zona Leste da capital paulista, é um amontoado de pequenas vilas. Como nos informou a moradora Neide dos Santos, de 63 anos, há 53 anos na vila Curuçá, o bairro se transformou bastante, “quando cheguei aqui só tinham duas casas, a minha e da dona Jorgette”.
Aos poucos a Vila Curuçá foi se transformando em um grande bairro, principalmente a partir de 1950. A proximidade com São Miguel fez com que a região tivesse um grande crescimento populacional, principalmente por pessoas mais pobres e nordestinos, que vinham buscar melhores condições de vida, trabalhando na Companhia Nitro Química, chegada em São Miguel em 1935.
Com o crescimento desordenado, sem infra-estrutura e saneamento básico, vieram também os problemas. Segundo o Sr. Jovino Cirino, 77 anos, morador há 40 anos na Vila Curuçá “os entulhos e lixos jogados nos terrenos são muito ruins, porque ficam cheios de bichos e ratos” – afirma, “mas hoje nosso bairro mais parece uma cidade”-continua.
Apesar dos problemas, hoje a Vila Curuçá é considerada pela maioria dos moradores como um bairro bonito e tranqüilo de se morar. A moradora Pedrina dos Santos, há mais de 50 anos na Vila Curuçá, lembrou que quando pequena costumava brincar nos terrenos e parques, como no Chico Mendes e a praça Jaguamitanga, mais conhecida como a pracinha do Shinquichi, recentemente reformada, com novos espaços de lazer e novas mudas de árvores.
Os moradores consideram a Vila Curuçá um lugar seguro. Tanto o Sr. Jovino como a Pedrina concordam que o bairro é sossegado, e os vizinhos são amigos. Luzia das Graças, moradora da vila há 25 anos , diz que gosta de morar aqui, porque é um lugar bom, tem comércio por perto, posto de saúde, asfalto, praças...
Muitos moradores como Antônio Cazita, conhecido como Toninho da Curuçá, também se lembra das festas, quermesses e leilões que aconteciam ao
redor do Cruzeiro da Curuçá (foto acima), onde hoje está localizada a Paróquia Nossa Senhora de Fátima,fundada em 1955 pela população originalmente nordestina e imigrantes portugueses, devotos de Nossa Senhora.
Entre fatos, relatos e pesquisas, vamos traçando o perfil do lugar onde moramos.
Todos somos responsáveis para que mais histórias como essa pos-sam se repetir...
O que podemos fazer para que a nossa Vila Curuçá possa ser, cada vez mais, um lugar aconchegante? Tudo isso dependerá de nós: cobrando os responsáveis pela administração do nosso bairro e cidade, e sendo co-responsáveis pela manutenção dos equipamentos urbanos que nos garantem uma boa qualidade de vida.
Carina Alves, Kleber William e
Rodrigo Alves, profº de Geografia

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